O ex-presidente Lula não apenas tinha amplo conhecimento da corrupção que acontecia na Petrobras, como ainda atuou para impedir que a CPI instalada no Senado pudesse investigar as denúncias surgidas na época. A acusação foi feita pelo senador Alvaro Dias, na sessão plenária desta segunda-feira (15), ao comentar declarações de Lula em depoimento ao juiz Sérgio Moro, no dia 10 de maio. Para Alvaro Dias, o depoimento de Lula teve como marca a mistificação.

“Em determinado momento, o ex-presidente Lula disse ao juiz Sérgio Moro que não tinha conhecimento de corrupção na Petrobras. Ocorre que, em 2009, instalou-se uma CPI da Petrobras no Senado Federal, e o ex-presidente, ele próprio, realizou verdadeira operação de guerra para impedir a instalação daquela CPI. Ele não conseguiu barrar a instalação, mas depois que a comissão passou a funcionar, o então presidente dominou por completo a CPI, indicando presidente e relator, montando a composição com aliados, e impedindo a aprovação de requerimentos de quebra de sigilo bancário, fiscal ou telefônico. O então presidente reuniu líderes no Palácio do Planalto para articular o que se chamou de abafa CPI, impedindo-a de investigar. Portanto, o presidente Lula tinha amplas razões, a seu juízo, para impedir o funcionamento daquela CPI”, afirmou o senador.

No seu pronunciamento, o senador afirmou que toda a pressão do Palácio do Planalto aos trabalhos da CPI não o impediu de levar ao procurador-geral da República, em 2009, 18 representações com os principais itens da corrupção na Petrobras, desde as denúncias de corrupção nas refinarias Abreu e Lima e Getúlio Vargas até situações com plataformas, compra de navios, etc. Para o senador, os escândalos de corrupção hoje revelados e a Operação Lava Jato desvendando os segredos da Petrobras trazem de volta as denúncias que ele fez em 2009.

“Imaginem os senhores se o governo federal não tivesse adotado providências diante daquelas denúncias. Evitar-se-ia o aprofundamento desse assalto que se praticou contra a Petrobras. Não há como se afirmar hoje que não se conhecia a existência de desmandos, de desvios de corrupção na Petrobras. As denúncias foram não apenas apresentadas no discurso parlamentar. Elas foram oficialmente protocoladas na forma de representação na Procuradoria-Geral da República para que inquéritos pudessem ser instaurados. Depois, no dia 22 de dezembro de 2012, protocolei, pessoalmente, às vésperas do Natal, representação denunciando a negociata de Pasadena, no Texas. E, em fevereiro de 2013, o inquérito foi instaurado. Portanto, não há como se afirmar que o Presidente da República não sabia da existência de corrupção na Petrobras. Ele foi mais do que informado. O que fica patente é que, além de saber, além de ser cúmplice, foi um artífice exponencial desse escândalo de corrupção na Petrobras”, concluiu o senador Alvaro Dias.