Como reconhecimento pelo legado a relevante contribuição que deixou à educação brasileira, o senador Alvaro Dias apresentou um requerimento de Voto de Aplauso à saudosa educadora Branca Alves de Lima, que faleceu em 25 de janeiro de 2001. O senador destacou em seu requerimento que o desempenho marcante e inovador de Branca Alves de Lima na alfabetização de crianças acabou sendo injustamente esquecido, e merece sempre ser lembrado e destacado para conhecimento das futuras gerações.

“É para lançar um pouco de luz sobre a vida dessa brilhante educadora brasileira, que prestou tão relevante serviço à educação, particularmente na alfabetização de crianças, que sinto-me honrado em propor, por parte do Senado Federal, este Voto de Aplauso à professora Branca Alves de Lima”, destacou o senador Alvaro Dias em seu requerimento.

No Voto de Aplauso, o senador Alvaro Dias detalha como se desenvolveu a brilhante carreira da professora Branca Alves de Lima, desde que se formou na antiga Escola Normal do bairro do Brás, na cidade de São Paulo, aos 19 anos. Ela iniciou sua carreira ainda na primeira metade do século passado, e o senador lembra que coube à jovem professora começar ministrando aulas em escolas rurais de pequenas cidades do interior do estado.

“A jovem educadora aprendera que deveria ensinar pelo método analítico puro, hoje chamado global. Depois de cinco anos, descontente com o baixo rendimento que observava, ela passou, por iniciativa própria, à revelia de seus
superiores, a usar o método analítico sintético, mas partindo da palavra. Um dia, em 1936, quando lecionava no Grupo Escolar Cardeal Leme, no município de São José do Rio Preto, lhe ocorreu experimentar algo que iria representar uma autêntica revolução no processo de alfabetização de crianças: simplesmente associar as letras a figuras presentes no mundo infantil, como o A à abelha, o C ao cachorro e o G ao gato, por exemplo. A ainda jovem professora percebeu que, com aquela associação de ideias, as crianças em início de alfabetização memorizavam as letras com muito maior facilidade e mais rapidamente começavam a dominar a leitura e a escrita”, afirmou o senador.

Alvaro Dias lembrou também que o passo seguinte da professora foi criar uma cartilha para a propagação da nova maneira de ensinar que havia desenvolvido. Branca Alves procurou, sem êxito, as principais editoras de São Paulo, e nenhuma teve a percepção da importância daquela inovação. O senador destaca que graças à sua determinação e confiança na própria descoberta, a professora Branca Alves de Lima não esmoreceu e bancou, com seus próprios e modestos recursos, a primeira edição da obra à qual deu o título de Cartilha Caminho Suave, que muitas gerações de brasileiros não esquecem, porque nela aprenderam a ler.

“O pai da professora, contabilista Manoel Silveira Alves de Lima, impressionado com a luta e a convicção da filha e acreditando nela, auxiliou a, em seguida, a criar sua própria empresa editora, cuja direção assumiu. Os empresários do ramo que não acreditaram nela quando foram procurados devem ter se arrependido amargamente, porque, nos cinquenta anos seguintes, a cartilha em questão teve uma tiragem de cerca de 60 milhões de exemplares, adotada que foi por escolas de todo o país”, concluiu o senador Alvaro Dias.

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