O tráfico de drogas está provocando uma escalada da violência em diversas regiões

do Brasil. Além da violência, as consequências do uso de drogas vêm provocando

uma verdadeira desagregação social e familiar. Situação que é agravada pela

introdução de um significativo número de drogas sintéticas.

A violência decorrente do confronto entre traficantes de drogas e entre os

traficantes e a polícia, já frequenta os jornais e telejornais do país quase que

diariamente. Como enfrentar esse problema?

AD: Um método eficiente que pode dar bons resultados no combate ao tráfico de

drogas, é a redução da oferta por meio da repressão. Dominar a redução da oferta,

através do desmantelamento das quadrilhas organizadas e do fortalecimento do

policiamento preventivo e repressivo nas fronteiras, é fundamental para enfrentar o

problema. Essas ações, associadas à utilização eficaz do sistema jurídico penal, e do

fortalecimento de programas preventivos é basilar para consolidar uma política de longo

prazo de combate ao tráfico e, consequentemente, reduzir o consumo de entorpecentes.

Fala-se muito atualmente da liberação do uso de algumas drogas hoje proibidas.

Como o Senhor enxerga esse debate?

AD: O Brasil tem coisas bem mais importantes e urgentes para debater. Já é do

conhecimento de todos que a toxicodependência afeta muito negativamente os

indivíduos e as famílias. Em alguns casos, gera inclusive a necessidade de o dependente

cometer crimes para adquirir a droga e sustentar a dependência. A Lei de Tóxicos tem

um excelente capítulo sobre as atividades de prevenção do uso indevido e reinserção

social de usuários e dependentes de drogas, e a execução dos mecanismos ali presentes,

como o aprofundamento das estratégias preventivas e o reconhecimento da interferência

negativa do uso de drogas na qualidade de vida do indivíduo e na sua relação com a

comunidade à qual pertence, pode trazer um bom resultado para a sociedade.

Diversos países estão preocupados com o crescente surgimento de drogas

sintéticas. O que o Brasil pode fazer para enfrentar esse novo problema?

AD: Em um primeiro momento fortalecer a Agência Nacional de Vigilância Sanitária –

Anvisa, para que ela tenha condições de identificar e incluir rapidamente essas drogas

na lista de substâncias proscritas. A Lei nº 11.343, de 2006, conhecida como Lei de

Tóxicos, não tem uma lista das substâncias entorpecentes de uso proscrito no Brasil

cujo comércio caracteriza crime de tráfico. Compete à Anvisa a elaboração e

atualização dessa lista. Além disso, é fundamental proporcionar a capacitação das

polícias. O tráfico, que movimenta muito dinheiro, cada dia se torna mais criativo. Essas

novas substâncias entorpecentes, em geral contém ingredientes químicos que não são

ilegais, mas tem efeitos semelhantes aos da cocaína, maconha e ecstasy. Podem ser

produzidas em qualquer país e adquiridas até pela internet, disfarçadas dos mais

inofensivos produtos. O combate a essas novas drogas constitui um desafio que exigirá

determinação, preparação e muito trabalho de inteligência.